domingo, 11 de outubro de 2009

Minguante

Iluminado pela luz do computador, percebo o meu semirreflexo na janela. Nesse momento, o que vejo é um mosaico. São várias formas, vários pedaços de coisas que pairam diante de mim querendo expor-me significados. A lua encara-me em seu quarto minguante. E eu, minguando no meu quarto, refletindo, pensando, me cansando. Eu acho que to começando a cansar disso. Ou não. Eu quero, mas não quero. Eu quero, mas quero ser querido. Essa é toda a diferença!

sábado, 10 de outubro de 2009

Armadura

Nós somos tão vastos dentro de nós mesmos. Eu sinto como se fosse uma nova parte de mim. Corajosa e medrosa. Impetuosa e receosa. Sem pudor e envergonhada. Ao mesmo tempo que teme... Sei lá, teme alguma coisa, não tem medo de assumir-se humano, com erros, desejos e tudo, tudo que o humanismo (?) pode oferecer. Quero gritar, sorrir, chorar - de paz, de medo, de tudo - quero entender. Acima de tudo, quero entender por que saem lágrimas dos meus olhos enquanto ouço Portishead e teclo meus sentimentos. Eu queria, acima de tudo, compreender... Compreender o que sinto, o mundo, as coisas. Compreender o meu medo de lutar, se é que deve haver luta.
Enquanto a música recomeça, eu retiro a armadura, as falsas ilusões. Cada peça dessa armadura, essa carapaça que eu não sei de onde surgiu é deixada de lado. Retirada à medida que a lágrima rola pela amargurada face. E ei-me aqui: com medo, receio, temor. Ao mesmo tempo, tento preencher-me com alegria, com uma sensação de humanidade, um desejo de parecer completo, feliz. O resultado... Bem, quando eu saber, aviso.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Reboot

écomoseeuestivessenumcovil!
c e r c a d o d e t u d o o q u e a b o m i n o !
cercado das risadas, das atitudes, da falta de princípios e muitas coisas mais...!
eissomedesespera,mesufoca!
eu quero ser l i v r e , eu quero ser p l e n o ! eu quero aproveitar o que há de melhor em mim e no mundo com quem me faça bem.
eu preciso desenvolver uma carapaça ,
uma resistência contra desilusões, decepções,
contraomundoláfora...
e u n ã o p o s s o m a i s . . . !
chega... por favor, chega... é o auge, o limite.
são as pequenas coisas,
fragmentos de outras
coisas que f o r m a m esse a b o m i n á v e l m o s a i c o e me faz muito, muito mal.
me faz MAL e me faz querer fazer mal.
sim, eu sou humano, eu posso perfeitamente querer fazer mal - desde que não o faça.

Catalepsia - 01

O dia não amanheceu pra mim. Não se iniciou. Apenas terminou, escureceu, desbotou. Uma vez para nunca mais. Mas nunca mais? Nunca mais como, se ainda sinto a vida a percorrer-me o corpo? Se for a vida que, de fato, me percorre... Mas fato é: eu a percorri, a vida. Percorri tão fugaz, tão medroso, tão rapidamente. Mas não me arrependo, somente porque estou gostando desse meu estado Brás Cubas em que estou, esse entremorte, se assim pode-se dizer.

Foi tão de repente. Até sem graça. De tão percorrida a vida, a morte seguiu a sua velocidade. Deu-se abrupta, súbita, sem direito a despedidas. Não que eu queira me despedir de alguém... Eu não possuía muitos a me sentir... Mas também não me arrependo. Se dizem que da vida não levamos nada, acrescento: não levamos nada, nem ninguém - a não ser em circunstâncias bem específicas, como uma chacina, ou segurar alguém ao cair no abismo (ok, é brincadeira). Pode parecer meio individualista, eu sei, mas sou assim. As companhias de nada adiantavam-me a não ser para o tédio - para causar-me o tédio - ou bloquear-me as ideias. Ah, sim, eu escrevo. Sou escritor. Ou tento ser. Se arte é subjetiva, para mim, chega a ser abstrata.

Mas, retornando à essência do meu relato, o sol apenas se pos para mim naquele dia. Por uma questão de justiça, admito: a lua, para mim, nasceu, mas - assim como as pessoas - não adiantou-me em nada. Se ainda fosse o sol...! Presenteando-me com mais um dia, um nascente, uma manhã de nuances âmbar por detrás das nuvens. Mas não. Tive o desprazer de um luar e um poente. Na verdade, nunca gostei de poentes. A ideia de esmorecência da vida me desagrada, apesar da minha vida ser uma... Não-vida.

É isso aí. Eu não vivi, eu não-vivi, isso sim. E chega a ser triste só perceber a não-vida na morte (ou seria talvez-morte?), sem possibilidade de recuperação ou mudança. Não que eu acredite, de fato, na minha própria mudança. Isso seria quase utópico. Acredito na mudança sim, na redescoberta, mas apenas não tenho a força para isso. Não que agora faça diferença... Pó não faz mudanças. Cinzas não mudam. E por mais poético que possa parecer, eu não sou uma fênix, então nada renascerá das cinzas, já espalhadas pelo vento. E, pensando bem, eu sou cinzas? O que aconteceu ao meu corpo? Eu que não o sinto, vejo ou percebo, não sei. Virou nitrato? Comida? Adubo? Eu acho que não faz diferença - aliás, o que faz?

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Flash

E num minuto não é mais.
O que era...
Não.
Já foi.
O que já foi?
Agora, já fora.
Agora?
Não, naquela hora...
Em qual?
Já era...

É, humano!

Hoje eu andei como nunca antes. Sentia os pés no chão, o vento contra o rosto. Ouvia as pessoas a falar, pensava junto com elas os seus relatos e causos. Hoje eu senti o dia, não apenas o vivi. Senti cada ocorrência, passo, movimento, tudo.
Foi quase uma liberdade ao contrário. Uma liberdade interna, de mim pra mim, que se expande por cada centímetro do meu próprio corpo... Eu me senti livre para pensar, sonhar, errar - eu to louco pra errar! - e fazer tudo, qualquer coisa mesmo!
Sabe... Hoje eu descobri que sou humano. É, humano! E foi tão simples e, ao mesmo tempo, fascinante perceber todos os erros que eu estou sujeito a cometer. Porque isso é ser humano. É saber que pode-se cometer erros e - por que não? - gostar de ter tal escolha, tal sujeição, tal possibilidade. Sem, obviamente, arrepender-se.

Transparência.

Eu não consigo.
Me desculpe, mesmo, mas eu não consigo ser fosco. Fumê, nublado, essa porra toda, não. Não dá mais pra mim. É quase uma necessidade, sabe? Um desejo anormal, louco, voraz! Eu preciso gritar ao mundo, me mostrar ao mundo, deixar que o próprio mundo me mostre o certo... Mas que certo? Ainda há o certo?
Enfim, eu preciso ser transparente, translúcido, límpido, comigo mesmo. É quase uma questão de consciência, de compensação, de desejo de mudança nessa sociedade conturbada. Adeus à lógica da mentira, da inverdade. Adeus. É hora de mudança, de melhoria, de coragem.