domingo, 24 de abril de 2016

Chiado

Eu não tinha como começar diferente. Diferente daquele chiado gostoso do vinil na voz da Billie... Assim como não podia, não mudaria. Não mudaria absolutamente nada...! Agora temos uma estrela. E não uma qualquer, uma estrela daquelas que chega e se aproxima. Lentamente, vem chegando perto, quase na mesma distância entre a sua boca e a minha. E daí, entra o tempo. E tudo bem... Origami se faz com o tempo mesmo. Cada dobra é tão precisa, que não há por que ter pressa - isso é coisa de coração vagabundo, desejoso de mais. 

Assim como o vinil em looping - 4 vezes, minimamente - parece estar o meu coração. As frases se repetem, o vinho, uma calma e uma paz. Uma clareza que só as maiores despreocupações podem sentir... Acho que seria necessário o alfabeto ao contrário algumas vezes pra descrição não sair do eixo; uma ou duas piruetas, sabendo de onde partir e aonde ir; encaixar exatamente cada dobra, com o carinho que só um coração transformado em dedos conhece.

E a melhor parte: um luar particular, daqueles que entra por uma fresta qualquer e ilumina o escuro, sempre indicando o caminho, que é pra frente, pra onde aponta o coração.


sábado, 12 de dezembro de 2015

À deriva

- Capitão?
- Pois não?

[silêncio]
- Pois não?!
- Ahm. Desculpe.

[silêncio longo]
- Quanta neblina.
- Te incomoda?
- De forma nenhuma. 
- Com o tempo, a gente se acostuma a olhar a neblina.
- Levou muito tempo pra você aprender, Capitão?
- Eu ainda não sei.

[silêncio]
- Entenda: a neblina não a vemos de perto. Apenas de longe. Lá longe, as curvas do céu se esfumaçam, as gotas de tinta se distorcem. De repente, tudo está em expansão, e o quadro se desfoca completamente... Parece que tudo cresce e se aproxima. [silêncio] Sem se dar conta, você está no meio da névoa. Nebuloso, turvo, distorcido. As gotículas de água raspam na pele dos seus braços e acomodam-se suavemente em seu rosto. Você tenta enxergar, mas não tem muita certeza se está conseguindo. Por fim, o nevoeiro se vai, desprendendo de você alguma coisa que não se sabe ao certo.

[silêncio]
- O senhor já passou por muitos nevoeiros, Capitão?
- Deles, eu nunca saí.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

De(s) a pego

Olhar a eternidade passar como quem observa o deslocamento de uma nuvem. Queimar-se inteiro por dentro diante do quão irremediável é o tempo; diante do simples fato de os passos não andarem para trás - apesar de olharmos tanto o passado. Esfumaçamo-nos na tentativa falha de deixar cinzas por um chão que, igualmente, se esfacela aos poucos.

Assim, agarramo-nos a todo resquício de algo que já foi ou possa ser - e surpreendemo-nos com a atualidade de nossas próprias e singulares palavras, e com a concretude de seus sentidos. 

Tudo isso para dizer: calma. Para proferir as mesmas palavras repetidas, relegadas a páginas e páginas azuis, velhos mausoléus de esperanças rasgadas com a fúria de um coração partido - juntado e, enfim, re-partido.

Tudo isso para dizer: tenha fé. É sempre o que sobra no final.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Paralelo

Sem muito o que dizer ou calar. Em algum momento, as palavras tornam-se repetitivas e desbotam-se aos poucos. Não há explicação, nem tampouco aceitabilidade, digamos. É quase um resignar-se por fora - mas, certamente, não por dentro. É difícil isso de se resignar por dentro... Eu fico esperando dias a fio.

Faltou o ar...
E não era da fumaça do cigarro que fumava, bem naquele dia que te conheci. Conversa vai e vem; um deck frio; a fumaça continuava a subir, costurando formas no ar tão espontâneas quanto as sinapses no meu corpo e coração.

Faltou o ar.
A gente segue a direção que o nosso próprio coração mandar. Ok, combinado.
Mas, sabe...
Até as linhas paralelas se encontram no infinito. E o mais lindo: esse tal infinito cabe no espaço de um beijo, de um olhar fulminante tentando descobrir pensamentos escondidos; cabe na beleza intraduzível de algumas palavras.

Faltou o ar.
É fácil encontrar o infinito. Até as linhas paralelas se encontram no infinito.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Indizivelmente eterno

eu não tenho a pretensão que ninguém leia isso até o final.
eu resolvi abrir mão dos meus finais!
é como se algo tivesse se desprendido da minha atenção e me permitido simplesmente observar as luzes de uma noite escura e sincera. enquanto eu, parado na janela, sentia o vento me bater suave no rosto e procurava uma palavra pra dizer esse momento, essa vida, ela simplesmente não veio.
me senti deliciosamente sem palavra. livre em um indizível presente...!
descobri a porosidade que tanto procurei. de tão linda, eu poderia ficar pra sempre olhando a eternidade passar.
abri mão dos meus finais. que o meu presente seja indizivelmente eterno!

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Testamento

A todos, eu deixo o meu amor. A minha compaixão, a minha humanidade querida. Acho que posso, em vida, ter descoberto um amor horizontal, doce, daqueles que faltam aos homens. Eu deixo a minha compreensão; valioso presente recebido de outros eus, ora acordados, ora adormecidos. A compreensão necessária para transitar entre os viventes e os quase-viventes; necessária para se situar numa esfera líquida e volátil com a solidez de uma rocha e a maleabilidade de uma nuvem.

Eu deixo o silêncio, como lugar do pensamento, da reflexão e do autoconhecimento. Eu deixo o espaço do entre, como o meio para as trocas, a tolerância, o cuidado e o afeto. Eu gostaria de deixar as minhas palavras - modéstia à parte, sempre adorei as minhas palavras! -, mas infelizmente talvez as precise em algum tempo. No seu lugar, deixo as intenções. Sei que sempre tive boas intenções, então as deixo aos que virão, para que multipliquem-se e continuem a significar.

A mim, deixo a liberdade. Ou melhor, levo. Levo comigo o frescor de uma vida livre, de pensamentos, atos e sentimentos. Da liberdade, deriva a sinceridade, e a levo comigo ou deixo-a para mim. Me deixo, na verdade. Me deixo ser eu, ser sincero e livre. E feliz.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Ao revés do tempo

- Que horas são, moça? - ele perguntaria tão timidamente.

Sem resposta.
"Nossa, custa interromper a conversa por dois segundos?". Questionar-se-ia. Seria assim tão inconveniente? Acharia que não. Estações de trem seriam sempre movimentadas, barulhentas e verdadeiramente cheias, mas esta estaria silenciosa. Olharia o velho relógio. 16h12. Parado.

- Muito obrigado, moça. Por nada! - acrescentaria.

Passaria, então, a andar a esmo. Levemente, deslizaria pelas plataformas, a procura de algum indício de tempo, sem sucesso. Observaria aquele local em detalhes. A sua direita, a bilheteria, ao fim de um amplo corredor. Seus funcionários, quase como robôs, trabalhariam a um compasso binário, cuja contagem exalava tédio. Os pisos enladrilhados, próximos à bilheteria, chamar-lhe-iam a atenção, pela surpreendente polidez. A sua esquerda, alguns cafés, umas poucas pessoas sentadas. Um pouco mais afastada, uma revistaria. Títulos conhecidos, porém atrasados. "É, apenas esperar", constataria o homem.

Maquinalmente, o relógio seria consultado por 5 vezes, nos próximos 23 minutos. Ele lembrar-se-ia da vez em que caíra na piscina, na casa da vó Alice; ou, ainda, quando moleque, de Amanda, aquele casinho de amor; das corridas com Dinamite, o pastor alemão, e das missas no velho televisor com, provavelmente, um pouquinho de Bom-Bril na ponta na antena. Caso se lembrasse de Milena, esboçaria um sorriso. E, assim, sorriria para a vida. "Milena...", pensaria. E, rapidamente, desfocaria os pensamentos.

- É o trem, que espera? - o guri despertar-lhe-ia de súbito.
- Pois não?
- É o trem que o senhor anda esperando?
- Se é. - responderia, alocando um tom de simpatia - Ele anda demorando.
- Ou é o tio que anda vindo cedo.

O homem parou. Olhou por um instante a sua volta. Algo parecia fora do lugar.

- Você tem as horas, guri? - perguntou observando-o fixamente.
- E quem não tem, tio? - responderia o guri, erguendo o pulso esquerdo e deixando a vista o relógio. - Está a desmanchar, vê?

"Sim, eu vejo!". Os ponteiros do relógio escorreriam lentamente, quase como se parados no tempo. E, parado, ficou o homem, estático, sem acreditar. "Os ponteiros estão derretendo...". Ao seu redor, ainda poucas pessoas. Ficavam a conversar suas amenidades, realizar suas despedidas e recepcionar os seus chegantes.

- E como anda o do tio? - o homem não queria encarar o guri.
- O quê do tio? - replicou o homem, incomodado.
- O marcatempo - diria o guri, cujos lábios ensaiariam um esboço de sorriso.

Antes mesmo de saber, o homem já sabia. Há muito haveria o seu relógio parado; seu uso teria se esgotado, quase como o próprio tempo. Porém, ao invés do normal, ao estender o braço, os ponteiros não mais lhe obedeciam, giravam ao contrário, ao revés do tempo. 16h03. O homem sentia-se andando para trás; o guri ver-lhe-ia de forma diferente.

- O tio precisa de mais tempo, não é? - acalentar-lhe-ia o sorriso do guri. O homem, sem defesas, surpreendeu-se com as poucas lágrimas inquilinas de seus olhos. Com um rápido suspiro, mandou-as embora.
- É, o tio precisa, guri.

O silêncio compartilhado entre os dois vagarosamente cedia lugar aos zumbidos do trem que se aproximaria, distante, na plataforma. Arrastar-se-ia pelos trilhos, juntando multidões em silêncio. Enfim, parado. O homem observou o guri e, ensaiando uma despedida, aproximou-se para um abraço.

- Adeus, tio.
Por um instante, o homem parou. "Adeus. Então é assim." O trem começaria os seus primeiros movimentos.
- Adeus, guri.

E, antes que o homem pudesse entrar no vagão, o guri agarrou-lhe o bilhete da mão, e enfiou-se no interior do trem, já em leve movimento. Incrédulo, o homem ainda tenta correr uns três, dez, vinte metros, atrás do trem em movimento, mas inutilmente. Arfando, ele apoia-se nos joelhos para recuperar o ar, mas algo toma-lhe novamente a atenção:

- O tio precisa de mais um tempo! - gritar-lhe ia o guri de uma das janelas - Então, toma-o, mas que seja seu! - e sumiria junto ao trem no horizonte.

Ainda ofegante, sem compreender muito bem, o homem observava o trem afastando-se mais e mais veloz. No meio da barulhenta estação, ao encontrar a saída, o homem vislumbra mais uma vez aquela estação. Fazia sol do lado de fora. 16h27, marcava o seu relógio.









Tempestuosamente

É tempo de tempestade.
Tempestuosamente, criar.

Re-criar, comigo, um céu de outrora. Brilhante, poético
Cristalino e sensível - irreproduzível.

Voar alto

Talvez seja apenas uma questão de coragem. Algo tipo crescer em nossos próprios pés, e sentirmo-nos novos, renovados e aptos. Às vezes, trata-se do momento próprio a questionamentos, ou então, uma vontade de aprimorar-se, maior que a compreensão que temos sobre esta mesma vontade.

Seja por que for, é. É e existe. Como um lugar a ser encontrado, usando ou não certa estrada de tijolos amarelos. Usando ou não aquele boné de asas do super Mário, em que pulamos uma, duas, e na terceira vez, planamos sobre o céu de nossas esperanças, a sorrir sentindo o vento em nosso rosto.

Vontade. Será essa a palavra?
Mas haverá de ser palavra? Haverá de caber em letras? Parece-me como alcançar o sol, apesar de nunca tê-lo alcançado; ou então, desejar alcançar o sol, para contemplá-lo em suas diferentes tempestades, explosões e erupções; no fundo, é entrar em erupção, talvez. Tempestuar nossas próprias ideias, e nos jogarmos no covil dos leões.

Tempestuar nossas próprias ideias e nos jogarmos no covil dos leões, definitivamente. 

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Em meu lugar

Acho que o meu lugar é aqui mesmo. É uma alegria tão grande perceber que nem o tempo, nem essa tal rotina que vive a me esmagar, nem os contratempos, ou desestímulos conseguiram sufocar as letras que escorrem dos meus dedos. Sim, eu paro... Paro de uma forma tão abrupta, ou covarde, ou irresponsável, mas paro! Paro e abandono esse fundo branco tão bondoso a minha alma, sorridente com o feliz reencontro. Não era pra eu dizer, mas ela ta meio emocionada, a minha alma. Ligeiramente tímida, essa coisa 'será que eu sei?', 'ainda é a mesma coisa?', 'não vai ser esquisito...?'. E, aos poucos, vamos pressionando uma tecla aqui, outra ali, juntando uma e outra letra, então palavras, quiçá pensamentos...!, mas estamos até indo bem...

A minha alma finge não ter sentido falta de você, mas se eu mesmo não acredito nela, não imagino que você acredito, blog. Ainda assim, é bom estar de volta. É bom encontrar alguns pedaços do meu coração deixados por essas páginas para encontrar o meu próprio caminho de volta. E melhor ainda é achar esse caminho de volta.

Vejo: por essas páginas, meu coração já se explodiu, foi recosturado, foi lançado a esmo, foi intencionalmente partido em pedacinhos. De coração renovado, estou pronto para deixar uma nova trilha, sendo este o primeiro pedaço. Que o caminho de volta futuro, me leve a um lugar onde nunca estive, e que o caminho de ida presente, seja de fato, um presente.

Uma nova trilha, cujo início é agora.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Quando o coração começa a bater.

O que faz o seu coração bater?

Já parou para pensar nisso? Eu acho que nunca havia me levantado essa questão... Talvez um amor maior e mais necessário do que aquilo que conhecemos. Talvez um amor in natura dentro de nós, que veio de fábrica e colocarmos de forma abrupta nesse mundo sem amor e sem merecer amor onde vivemos.

A questão é: ele bate. Às vezes, mais fortes, ora mais fracos. Ele modula ao passo da surpresa, pois isso, sem dúvida, o faz bater, esmurrar, espancar nossas paredes internas, a ponto de movê-las a lugares nunca antes vistos e sentidos. A surpresa nos arranca o ar, levando nossos pulmões a sorvê-lo, puro, a nossa volta, e qualquer coisa de pueril transpassa nossas entranhas, nos fazendo sentir estranhamente vivos.

Em outras vezes, o medo dá o compasso. O coração acelera, a garganta fica em nó; as palavras, ora tão habilmente posicionadas, nos abandonam, e nos sentimos inseguros, novos, quem sabe até pequenos. O medo nos traz a consciência frágil do ser, concentrada em nossos corações a disparar.

E o amor? Como fica em meio à surpresa e ao medo? O meu se encolhe. Ora, se expande, se encolhe novamente, para, então, expandir. Ele reage, apesar de reações não serem o meu forte. O coração sempre reage, é impulso, energia viva.

Então, deixe-o agir e reagir. Às vezes, é o que de mais sincero virá de você mesmo.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Eletricidade

Só pode ser essa a explicação... Deve haver alguma coisa que foge do meu corpo em direção ao seu. Um fogo, uma química, uma energia... Eu diria, simplesmente, eletricidade. Algo que pulsa em mim, em direção a você, e que de você, parte para mim.

Quem sabe, um feixe de luz incolor e invisível. Após atravessar o meu corpo, eriçando cada fio de cabelo, desprende-se desse meu enorme sentimento, em direção a você. Sem saber, o mesmo processo ocorre identicamente em você, emitindo essa espécie de rajada luminosa em direção a mim.

O encontro é eletrizante. Sem conseguir alcançar seus trocados destinos, essas energias encontram-se no meio do caminho, flutuantes no ar. É impressão minha ou estariam dançando? Enquanto reconhecem a presença uma da outro, dançam no ar, imitando formas, renovando elétrons, criando novas cores e espaços.  

Enquanto ali estão, parece que o tempo parou. Não sentem os minutos a passar. Até que, regidos por sua própria velocidade, os feixes de luz, num milésimo de segundo, sentem-se estáticos. Parecem conseguir enxergar um ao outro, sentir um ao outro, como se fundissem suas energias e, num micro instante, fossem apenas um. E como fogos de artifícios, no segundo seguinte, difundem-se, explodem, espalham-se por todo o espaço, tornando essa eletricidade vinda de mim, ou de você, parte do que está entre nós.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

A pedido

A pedido, resolvi voltar. Talvez seja hora realmente de, mais uma vez, por palavras no papel. Eu não lembro se ainda sei como se faz, mas não deve ser tão difícil, quer dizer... Eu só descambava a escrever, meio sem entender, sem saber bem o que dizia. Às vezes, nunca soube. Mas isso me ajudava a descobrir.

Bem, então comecemos analisando esse pedido. Aliás, qual pedido? Quem pediu o que? Não sei ao certo. A cabeça anda pedindo demais, ao que parece. Mas o coração também tem desatado a pedir. E eu gosto dos seus pedidos... São pedidos doces, bacanas, realmente legais de se atender! E tem aquele pedido que... Que vem do fundo! Nem sei bem de onde... Só sei que vem. E me chega por todos os sentidos, é impressionante. Eu o sinto, o aspiro, o escuto nos meus fones, o percebo no meu perfume. Eu sei que ele está ali.

E é esse pedido que eu quero atender. Com esse pedido, eu levo o meu dia, eu danço a minha dança, eu canto a minha música. Com esse pedido, meu sorriso se torna mais leve.

A esse pedido, essa pequena confissão.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Tempo de Voltar

De repente chega. Ou melhor, chegamos. Chegamos a um momento, um ponto, que, por alguma razão, sentimos vontade de voltar... Mas e aí, voltar para onde? Ou de onde? Sei lá... Voltar pro que queremos ser. A gente vai. Começa a andar, a caminhar, a correr um pouquinho, e quando notamos, estamos tão acelerados, a ponto de ver tudo sem ver nada. Tudo passa tão rapidamente! Não acontece, voa! Mas voa pra longe.


Eu já sinto esse tempo de voltar. Essa vontade de voltar. De encontrar tudo aquilo que desejei, ou ainda desejo, e de percorrer esse caminho tão belo que espero me aguardar. Esses caminhos bonitos e, digamos, certos, parecem meio chatos de se percorrer, mas sei: é lá. Simplesmente, é pra lá. É pra lá que o tempo não volta, mas conduz, requer e espera a nossa volta.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Páish

Seria a infinita paz que O Teatro Mágico diz na música? Bem, é teatro. Ou é de teatro, ou foi no teatro. E, certamente, é mágico, ou foi mágico, ou é mágica - não magia, essa é outra coisa, tão boa quanto. Não sei, só sei que estou assim. Assim com esse sorriso bobo que me serve de prognóstico, de sinal que algo está acontecendo ou está para acontecer.

E aí recomeço... Recomeço a escrever, a devanear, a tirar os pés do chão. Como adoro essas viagens por todos esses âmbitos do querer, do sonhar...! É claro que se muito metafísico, perde a graça... O interessante é justamente a dimensão real do sonho, pois pra que sonhar se não almejamos, em alguma instância, a realização? "Somos feitos da mesma matéria dos nossos sonhos, basta acordar-se para dentro...".

Assim, continuo. Irei firme, prometo, nessa dupla ação idealizadora/realista, procurando acordar-me e reciclar-me para dentro. Relendo, revisando, revivendo cada frase proferida, escrita, pensada, sentida. Nesta dupla missão, senão como duplo, eu dublo uma voz que me antecede. Uma voz como um personagem - que sei que sou - todo voz, mas todo voz passiva e voz ativa; todo voz proferida e voz escutada; todo (semi)agente e (im)paciente.

Ponta-cabeçamente e semi-conscientemente, e todo neologisticamente, encerro. Encerro apenas o texto. Além dessas poucas palavras nada muda. Por entre seus espaços, por entre o teclado e a conjuração, por entre o toque e o aparecer, tudo se esvai ou tudo se cria, e se cria tanto até transbordar. Transborda de sonho, de luz, de amor - de um amor digno de ser sentido. Mas sabe... Pode deixar transbordar. Transbordar é bom, quando de cima para baixo - e não de baixo pra cima, como nesse texto..

domingo, 3 de julho de 2011

Tempo de... Sei lá!

Talvez seja hora de sei lá. De parar um pouco. De dar um pause nesse turbilhão de coisas que me transpassam a cabeça sempre e sempre e sempre. Eu sei os meus problemas, eu os conheço e convivo com eles diariamente. Então pra que gastar mais tempo buscando uma solução? Quando houver solução, eu vou descobrir. Quando houver salvação, eu vou me jogar. Enquanto houver esperança, eu vou continuar. Quando houver mudança, eu mudo junto, não tem problema.

É uma questão de parar. Parar de procurar, parar de procurar entender. Momento de apenas sentir, apenas viver, apenas levar. É uma questão de duas questões: sinceridade e espontaneidade. Sendo sincero, você está sendo você mesmo. E se tal pessoa não gostar, o problema é dela. E ser espontâneo... Bem... Qual a graça de hesitar? De se arrepender? Não nessa vida, cara.

É tempo de, perdoe-me Domingos Oliveira, por dar uma modificadinha na sua frase, não buscar, mas viver (não soluções, mas segundos) munido de um imenso e desmedido amor (não estreito, mas abrangente).

E, sobretudo, é tempo de alegria. Alegria em paz.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Desejo

Às vezes, eu simplesmente quero.
Às vezes, eu só preciso mesmo.
Não de muito, sabe?
De um abraço, de uma música. Daquela música que fará algumas lágrimas rolarem dos meus olhos.

Algumas vezes, eu sonho.
Algumas apenas? Até parece...
Eu sempre sonho, mas meio que não sei mais o que sonhar.

E, às vezes, eu desejo.
Eu desejo com tanta vontade! Desejo com a minha alma, com a minha força, com a minha essência...! E esse desejo atinge... O que mesmo?

Pois é, eu não sei.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

O que eu quero de você

Pra começar, a sua atenção. À partir daí, pode deixar comigo. Eu quero o seu abraço, o seu cheiro, o seu toque. As suas palavras bonitas. Eu quero o seu sorriso refletido nos seus olhos, refletidos nos meus olhos, realçados pelo meu sorriso. Eu quero te puxar pelo braço pra pista de dança e não conseguir escutar qualquer coisa que você queria me falar. E, na tentativa de vencer a música ensurdecedora, quando você aproximar a sua boca do meu ouvido, eu vou me arrepiar todo com o seu hálito quente. Eu quero, então, virar meu rosto para o seu, bem devagar, e encarar seus olhos não mais trêmulos, escondendo-se na timidez do seu sorriso. A partir daí, o que eu quero é a síntese de tudo o que está nas entrelinhas desse texto: o seu beijo.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Overthinking

Just relax, don't overthink it.

Eu não sei o que é essa coisa que você me causa. Essa coisa que me inquieta. É tão cedo para se dizer qualquer coisa, mas enfim. Acho que essa é a minha necessidade, sempre foi e sempre será: dizer. Eu preciso dizer. Sempre precisei e talvez sempre precisarei. E é pra isso que serve esse blog aqui. Para que eu possa dizer, dizer, dizer, até engasgar com as palavras, mas sempre falar. Essas palavras que dentro de mim ficariam mortas e, consigo, me fariam morrer, quando as solto no ar, elas parecem ganhar tão belas formas... Iludo-me com tais formas e não percebo o óbvio: as palavras apenas dançam ao ar, e mais nada. Às vezes, elas chegam a um ou a outro, mas só. Ainda não passam de palavras.

Just relax, don't overthink it.

Talvez essa seja a solução. Parar de pensar, de falar. Evitar esse confronto entre a cabeça e o coração. Mas assim, quem vai impedir o coração? Todos bem sabemos que os corações (sobretudo esse!) agem por impulso, por bobagem, por passageira vontade. Então me deixo levar por essa liquidez de emoções? Por essa enxurrada que sai do meu peito e que eu bem conheço, mais do que ninguém? Seria essa a solução?

Just relax, don't overthink it.

Relaxar e não pensar demais. Exatamente o que não estou fazendo. Ao pensá-la, nado contra ela. Acho que é complexo e, hum, rotativo demais para se entender. Nesse momento, então, quando não mais quiser soluções complicadas, que eu me lembre de Domingos: "Buscar soluções munido de um imenso e desmedido amor".


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Nesse meio tempo

Nesse meio tempo, eu não sei, sabe? Eu simplesmente não sei. Enquanto a mente não para de examinar os sinais e o coração não para de computar os impulsos, eu ainda não tenho um diagnóstico desse meu estado. Um prognóstico? Por experiência própria, deixei de confiar neles. Podem ser muito úteis, como podem dar falsas esperanças, como podem afundar algumas. Ou seja, sem prognósticos.

Nesse meio tempo, vamos tentar marcar um inteiro. Ou, melhor ainda, mais de um tempo. Que sejam vários! Daremos tempo a ele mesmo, para que esse mesmo tempo costure todas as feridas passadas e não as deixe interferir nisso que se inicia. Nisso, que só assim pode ser designado, visto que não sei o que é.

Nesse meio tempo, eu fico por aí.